quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ai, acho que inflamou!

A inflamação é uma resposta normal do organismo a patógenos ou irritantes. Inflamação geralmente é consequência de infecção, mas nós não devemos confundir as duas coisas. Quando somos invadidos por Vento (os vírus da Medicina Ocidental) nós desenvolvemos febre e uma inflamação aguda, isto é, nós temos uma infecção e uma subsequente inflamação.

Inflamação é parte de uma complexa resposta biológica de tecidos vasculares aos estímulos nocivos, tais como patógenos, células danificadas, ou agentes irritantes. Os sinais clássicos de inflamação aguda são dor, calor, vermelhidão, inchaço e perda de função. A inflamação é uma tentativa de proteção por parte do organismo para remover os estímulos nocivos e iniciar o processo de cura. Inflamação não é sinônimo de infecção, mesmo nos casos em que a inflamação é causada por infecção. Embora a infecção seja causada por microorganismos, a inflamação é uma das respostas do organismo ao patógeno.

Porém, inflamações podem se tornar crônicas e desempenhar um papel muito negativo em várias doenças. Nestes casos, a inflamação não está desempenhando um papel positivo, como no caso de inflamações agudas em resposta a algum evento nocivo. A inflamação crônica pode criar um terreno convidativo para o progressivo desenvolvimento de doenças. Já se sabe que as inflamações crônicas estão envolvidas no aparecimento de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, obesidade, artrite, doenças neurológicas, doenças pulmonares e auto-imunes. Nós já sabemos que muitas dessas doenças são causadas pela desregulação das vias inflamatórias, levando a um estado de inflamação crônica.    

Geralmente os fatores causadores de inflamação crônica são estresse, tóxicos (inclusive má alimentação), tabaco, álcool, agentes infecciosos e radiação. Eu somaria a isso as vacinações (que contam como agentes infecciosos). Essa lista nos mostra como os fatores modernos de adoecimento estão distantes daqueles que os antigos praticantes da medicina chinesa enfrentavam.

Muitas plantas já demonstraram ter ingredientes ativos que combatem ou inibem o estado de inflamação crônica do organismo, como a cúrcuma ou o cardamomo por exemplo. Mas é fácil ver como a melhora no estilo de  vida e a prevenção podem desempenhar um papel crucial neste processo. Boa alimentação, exercícios físicos, práticas alterativas de manutenção da saúde, busca do equilíbrio emocional garantem que tenhamos harmonia e um organismo livre de processos inflamatórios que durem mais do que o necessário à auto-regulação.

Fonte: http://maciociaonline.blogspot.com.br/

sábado, 1 de junho de 2013

Visões errôneas

"Muitos ocidentais tem uma noção estranha do que seja a medicina chinesa. Alguns a vêem como um "abracadabra" - o produto de um pensamento mágico ou primitivo. Se um paciente é curado através da fitoterapia ou acupuntura, eles vêem somente duas explicações possíveis: ou a cura foi devido ao efeito placebo, ou foi um acidente, o feliz resultado de um "jogo de dardos" ao acaso no qual o praticante não teve muito entendimento. Eles partem do princípio de que a ciência e a medicina ocidental são as únicas verdades - todo o resto é superstição.
Outros ocidentais tem uma opinião mais favorável mas igualmente equivocada sobre a medicina chinesa. Profundamente, às vezes com razão, cansados dos muitos produtos da ciência e cultura ocidental, eles assumem que o sistema chinês, por ser mais antigo, mais espiritual, mais holístico, é também mais verdadeiro que o da medicina ocidental. Essa atitude ameaça transformar a medicina chinesa de um campo de conhecimento racional em um sistema de fé religiosa. Ambas atitudes mistificam o assunto, uma por menosprezo, a outra por colocar em um pedestal. Ambas são barreiras ao entendimento.
De fato, a medicina chinesa é um sistema coerente e independente de pensamento e prática que foi desenvolvido ao longo de dois milênios. Baseado em textos antigos, é o resultado de um contínuo processo de pensamento crítico, bem como extensa observação clínica e testagem. Representa uma constante formulação e reformulação de material por clínicos e teóricos respeitados. É também, entretanto, enraizado na filosofia, lógica, sensibilidade e hábitos de uma civilização totalmente estranha à nossa. Que desenvolveu, não obstante, sua própria percepção dos processos de saúde e doença."

Tradução livre de: KAPTCHUK, Ted. The web that has no weaver: understanding chinese medicine. pp 1-2. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ninguém pode saber tudo, e nem precisa


É espantosa essa discussão em torno da acupuntura e dos profissionais (médicos ou de outras classes) que defendem a exclusividade na sua prática, como se fossem os únicos capazes de fazê-la com responsabilidade. A acupuntura enquanto técnica faz parte de uma tradição muito antiga, que tem sua própria linguagem e seus significados, sua patologia, anatomia e tratamento radicalmente diferentes do pensamento médico ocidental.  É uma outra racionalidade médica, muito anterior à medicina ocidental e independente desta, e que exige por sua vez muitos anos de estudo e de prática específicos.
O argumento mais comum é de que o acupunturista não-médico deixaria passar despercebidas várias coisas que poderiam ser vistas por um médico ocidental. Mas é óbvio que isso é verdadeiro, assim como o médico ocidental deixa de ver coisas importantes que poderiam ser vistas pelos dentistas, o psicólogo deixa de ver várias coisas que poderiam ser vistas pelo fisioterapeutas, o dentista deixa de ver coisas que poderiam ser identificadas pelos nutricionistas, e assim por diante. E, por sua vez, os profissionais de formação e mentalidade ocidental deixam passar informações que poderiam ser de importância para um acupunturista tradicional, com uma formação e mentalidade radicalmente diferente, na sua tarefa de minimizar o sofrimento humano. Aí reside a especificidade e a limitação de cada campo do conhecimento.
Mas não há problema nisso, porque para minimizar estas falhas existem as equipes multidisciplinares, para isso existem trocas, para isso existem encaminhamentos, para isso existe respeito interdisciplinar. O psicólogo acupunturista encaminha para o médico quando percebe que há tempo seu cliente não faz exames ou um check-up; o fisioterapeuta acupunturista encaminha para o odontólogo quando percebe que o paciente com dor na articulação mandibular há tempo não visita o dentista; o farmacêutico acupunturista encaminha para o psicólogo quando percebe que o dano físico pode ter raízes emocionais; o médico ocidental encaminha para o acupunturista tradicional quando percebe que há tempo suas técnicas e medicamentos não mais beneficiam, e assim por diante.
Ninguém pode saber tudo sobre tudo.  E aquele que pouco sabe de tudo, nada sabe de nada. Por isso temos que ser humildes em nosso saber e em nossa prática, conhecer as limitações de nosso campo de conhecimento e principalmente trocar, interagir, estar aberto para poder dialogar com colegas que desejam todos um objetivo comum, proporcionar saúde e bem estar a quem os procura. E isso vale para todas as profissões. Neste momento não há lugar para brigas ou picuinhas, ninguém é mais do que ninguém. Se eu não sei, o colega pode saber, então encaminho. Se não tenho certeza, checo. E nenhum  profissional pode ser completo diante da imensidão das possibilidades de cuidados em saúde, pois nenhuma ciência dá conta da diversidade e da complexidade do ser humano e dos processos da vida. Assim acredito que ninguém pode ter a pretensão de saber tudo, e nem precisa. Sejamos responsáveis e honestos em nosso saber, façamos tudo o que pudermos, e deixemos aos colegas o que cada um sabe fazer de melhor, respeitando seu direito e sua prática, e reconhecendo a sua importância.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Promovendo Saúde e Relaxamento Durante as Quatro Estações

VERÃO
Gao Lian, Séc. XVI

Os três meses do verão são governados pela energia do fogo, e por isso se encarregam do processo de crescimento e maturação. O qi do coração é abundante de energia de fogo, e está associado ao sabor amargo. De acordo com as relações do ciclo de controle entre as cinco fases da energia, fogo agride metal; a energia de metal governa os pulmões, e o sabor associado ao pulmão é o picante. Durante o verão, por isso, deve-se diminuir os alimentos amargos e aumentar os alimentos picantes para se nutrir os pulmões. Ao mesmo tempo, deve-se usar o som “haaaa” para mobilizar o qi estagnante do coração, e “shhhhh” para harmonizar seu fluxo.
(...) O coração é exuberante durante os meses de verão, mas os rins encontram-se em seu estado mais fraco. Apesar do calor, no entanto, seria impróprio preencher o estômago com petiscos congelados, bebidas frias ou cereais frios. (...) Sob tais circunstâncias, não se alimente de berinjela, vegetais crus ou outros alimentos excessivamente yin, visto que em tal circunstância já existe uma grande quantidade de yin qi presente no abdômen, e a ingestão de alimentos coagulantes como esses podem promover a formação de massas abdominais. Idosos, em particular, e pessoas com tendência a formação de fleuma-calor que se devem na verdade à sua constituição fria, devem se conformar com tais princípios e evitar tais alimentos.
Pela mesma razão, não busque o alívio do calor do verão em locais com corrente de vento e muito cheios. Embora possa encontrar um resfriamento temporário sob um abrigo, são em corredores, em jardins externos ou próximo de janelas quebradas que os ventos nocivos podem mais facilmente invadir o corpo. Busque a tranqüilidade de uma sala ampla e vazia, ou a energia yin pura de uma fonte de água para alcançar um estado natural de resfriamento.
Mais importante ainda, regule sua respiração e acalme seu coração. Tenha em mente que segurar cristais de gelo próximos de seu coração e estômago farão com que o fogo ascenda, ao invés de diminuí-lo. Não presuma que coisas quentes aquecem e por isso irão alimentar um calor já abundante. Mais do que isso, crie o hábito de tomar regularmente tônicos que aquecem em forma de pílulas ou pó durante os meses do verão, de forma que se garanta um fluxo suave do qi. Beba líquidos mornos e alimente-se de alimentos quentes; nunca se alimente até o limite, mas coma porções menores em intervalos mais curtos. Beba chá de canela, cozinhe com cardamomo, utilize água fervida ao invés de água fresca, e evite pratos gordurosos.
Também, evite dormir sob a luz de estrelas e da lua, pois caso acampe em lugares abertos, estará propenso à invasão de vento. Embora você possa sentir uma certa euforia inicial. O vento irá certamente fazer o seu caminho através de seus poros. (...) Alguém, por exemplo, que ingere alimentos frios e então descansa seu corpo suado em um local com corrente de vento irá facilmente contrair a síndrome de bloqueio do vento (...) Visto que a cabeça é o ponto de encontro de todos os canais yang, um cuidado especial deve ser tomado para protegê-la da influência nociva do vento. Todas as pequenas rachaduras na parede de seu quarto devem ser remendadas, para prevenir agressões à cabeça. Além disso, penteie seus cabelos 100~200 vezes por dia durante os meses de verão, tomando cuidado para não ferir o couro cabeludo e escolher um local livre de correntes. Este é um método natural para se eliminar o vento e dar mais brilho aos olhos.
____________________________________________

Introduzido e traduzido por Heiner Fruehauf
Versão em Português: Paulo Henrique Pereira Gonçalves
Supervisão e Revisão : Ephraim Ferreira Medeiros
Site original: www.medicinachinesaclassica




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Promovendo Saúde e Relaxamento Durante as Quatro Estações

 PRIMAVERA (Gao Lian, Séc. XVI) 

Introduzido e traduzido por Heiner Fruehauf
Versão em Português: Paulo Henrique Pereira Gonçalves
Supervisão e Revisão : Ephraim Ferreira Medeiros
www.medicinachinesaclassica.org

Os três meses da primavera são o período de renovação: o velho e gasto se dissipa, céu e terra retornam à vida, e tudo floresce. Descanse de noite e levante-se cedo, caminhe livremente pelo jardim, relaxe e desfrute da agradável sensação de um passeio matinal; esta é a forma como deve despertar o seu espírito na primavera. Favorecer toda a vida e não matar, ser generoso e agradável, dar livremente e não punir. Esta é a maneira de honrar o qi da primavera e nutrir a vida durante esta época. Ir contra essas características do fluxo sazonal terá efeitos prejudiciais sobre o fígado.
O sabor de fígado/Madeira é ácido. Madeira pode sobrepor a terra, a qual na dinâmica dos elementos governa o baço, o qual por sua vez é influenciado pelos sabores adocicados. Na primavera, portanto, deve-se comer menos alimentos ácidos e se alimentar de alimentos mais ou menos doces para nutrir o qi do baço.
Os raios quentes do novo sol da primavera incita para que tudo brote, inclusive certas doenças que estiveram escondidas sob a superfície do corpo. O tempo é um tanto quanto irregular durante o primeiro e Segundo mês lunar (Fevereiro a Abril), frio em um momento e quente em seguida, e visto que muitos dos mais velhos sofrem de algum tipo de enfermidade crônica, o qi ascendente da primavera pode levar essas pessoas a se sentirem cansadas e fracas. Enfermidades crônicas se manifestam facilmente sob essas condições. Também, durante os meses do inverno as pessoas tendem a rodear os fogões a lenha e se alimentar de comida processada, e tais influências negativas gradualmente se acumulam no corpo até que finalmente se manifestam na primavera.
Elas farão o corpo sentir-se quente e a cabeça tonta, o diafragma ficará obstruído e a boca ficará pegajosa, os braços perderão força e as pernas e parte inferior das costas se tornarão fracas. Todas essas são doenças que se acumularam durante o inverno. Quando o corpo apresenta sinais de mudança e sente-se que uma doença pode estar chegando, seria errado usar simplesmente ervas que mobilizam para corrigir aparente estagnação, porque os remédios desta natureza podem realmente prejudicar as redes de órgãos neste momento, e outras doenças podem surgir. A forma adequada seria a utilização de remédios que extinguem o vento e harmonizam o qi, resfriar o diafragma e transformar a doença latente. Se alguém opta por empregar medidas dietéticas deve-se selecionar os alimentos que são energeticamente nem muito quentes nem muito frios, possivelmente de natureza um pouco mais fria, e que impedem a estagnação, beneficiando a transformação suave de comida e bebida. Desta forma, todos os processos do corpo fluirão naturalmente. Se não houver sinais de doença, não há necessidade de tomar qualquer medicamento.
Primavera é a estação de harmonia. Este é o tempo para caminhar pelos jardins e florestas, para se sentar calmamente nos quiosques pela paisagem e aproveitar as tranqüilas imagens da natureza. Abra seu coração, livre-se de toda a energia estagnada e, assim, incentivar o qi de nascimento, vida e renovação de fluxo. Neste momento, seria contra a dinâmica da natureza se sentar ao redor de coisas interiores e crescer estagnado e deprimido. Evite beber muito álcool, e mostrar uma certa contenção com aqueles alimentos comumente feitos de farinha que têm uma tendência para prejudicar o baço e o estômago. Eles são realmente difíceis de digerir.
Especialmente as pessoas de idade não devem ceder à tentação transitória do prazer oral e comer em excesso quando de estômago vazio, caso contrário, sua saúde irá certamente sofrer. Além disso, visto que o tempo muda de frio para quente e de quente a frio, seria um erro deixarem suas roupas de inverno de lado. Os idosos geralmente têm qi fraco, ossos frágeis, e um corpo frágil que é altamente suscetível ao vento frio. Visto que sua superfície é facilmente invadida, eles devem sempre ter um conjunto extra de roupas prontas que podem ser postos de lado quando o sol sai. Remova camada por camada, não se livre de tudo de uma vez!


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ventosas (Cupping)


As ventosas são uma técnica integrante das terapias externas dentro da Medicina Chinesa, e são usadas para tratar patologias através da criação de uma pressão negativa sobre pontos ou áreas da pele. Essa pressão é feita com a colocação de copos ou recipientes especialmente feitos para tal fim, o que cria na região uma congestão sanguínea. Originalmente feitas de bambu, chifres de animais, porcelana ou metal, atualmente as ventosas mais usadas são feitas de vidro, acrílico ou borracha. 
Terapia do bem
O efeito terapêutico acontece por fazerem um estímulo térmico e mecânico na superfície da pele. Agem regulando a circulação e a troca de substâncias entre os tecidos, modulando a dilatação e contração dos capilares, favorecendo a circulação sanguínea e linfática local, equilibrando o Yin-Yang, suplementando a energia defensiva, removendo energias patogênicas e drenando os meridianos. Desta forma, elas têm uma ação tanto nas doenças externas quanto nas internas.
São indicadas para mais de 100 patologias, especialmente para dor, machucados dos tecidos moles, inflamações agudas ou crônicas, obstruções por invasão de frio, umidade ou vento e disfunções dos órgãos e vísceras. As condições podem ser aliviadas rapidamente mesmo com uma só aplicação. Quando adequadamente efetuada é uma terapia segura, sem efeitos tóxicos ou colaterais, que pode ser usada tanto para tratamento como na preservação da saúde. Existem apenas algumas contraindicações que devem ser observadas cuidadosamente pelo terapeuta, por isso a necessidade de um profissional habilitado.

As mais desejadas
As ventosas podem ser fixadas em determinados pontos, ou movimentadas em massagens com o uso de óleos deslizantes e terapêuticos. Quando fixas sobre a pele por um determinado tempo podem produzir manchas avermelhadas ou roxas que desaparecem ao longo de alguns dias, mas quando manipuladas e movimentadas não deixam marcas duradouras. Também podem ser combinadas com outras técnicas da Medicina Chinesa como a acupuntura.
Geralmente a aplicação de ventosas não é dolorosa, podendo ser bastante relaxante, principalmente as ventosas de vidro que se tornam mornas pela necessidade de aquecê-las no fogo antes de posicioná-las sobre a pele. Devido à sua agradável sensação e seu poder de desenrolar as tensões, acabam tornando-se uma das partes mais desejadas pelos clientes durante uma sessão de tratamento.