terça-feira, 18 de agosto de 2009

A acupuntura enquanto arte

"A acupuntura é completamente oriental. Assim quando você aborda qualquer ciência oriental com a mente ocidental você esquece muitas coisas. A sua completa abordagem é diferente: é metodológica, é lógica, analítica. E estas ciências orientais não são verdadeiramente ciências, mas arte. Toda a coisa depende de se você pode mudar suas energias do intelecto para a intuição, se você pode mudar do masculino para o feminino, do yang para o yin; da abordagem ativa, agressiva. Você pode se tornar passivo, receptivo? Somente assim estas coisas funcionam; de outra forma você pode aprender tudo sobre acupuntura e isto não será acupuntura de jeito nenhum. Você saberá tudo sobre ela, mas não ela. E algumas vezes acontece que a pessoa pode não conhecer muito sobre ela e conhecê-la, mas então é uma habilidade - apenas um insight nela.
Assim isto está acontecendo com muitas coisas orientais; o ocidente torna-se interessado - elas são profundas. O ocidente torna-se interessado em uma coisa oriental, mas então ele a traz para a sua própria mente para entendê-la. No momento que a mente ocidental entra nela, a própria base dela é destruída. Então somente fragmentos são deixados e estes fragmentos nunca funcionam. E não é que a acupuntura não funciona, a acupuntura pode funcionar, mas ela pode funcionar somente em uma abordagem oriental.
Assim se você quer realmente aprender acupuntura é bom saber sobre ela, mas lembre-se que isto não é a coisa mais essencial. Aprenda toda informação que está disponível, então esqueça todas as informações e comece apalpando no escuro. Comece escutando a sua própria consciência, comece se sentindo em harmonia com o cliente. É
diferente...
Quando um paciente vem a um médico ocidental, o médico ocidental começa raciocinando, diagnosticando, analisando, encontrando onde a doença está, qual é a doença e o que pode curá-la. Ele usa uma parte de sua mente, a parte racional. Ele ataca a doença, ele começa conquistá-la: uma luta começa entre a doença e o médico. O paciente está na verdade fora do jogo - o médico não se preocupa com o paciente. Ele começa a lutar com a doença - o paciente é totalmente negligenciado.
Quando você chega a um acupunturista a doença não é importante, o paciente é importante, porque é o paciente quem criou a doença; a causa está no paciente, a doença é somente um sintoma. Você pode mudar o sintoma e outro sintoma chegará. Você pode impedir esta doença com drogas, você pode parar a sua expressão, mas então a doença irá se afirmar a si mesma em outro lugar e com mais perigo, mais força, com uma vingança. A próxima doença será mais difícil de tratar do que a primeira. Você usa drogas nesta também, então a terceira doença será inclusive mais difícil.
É assim que a alopatia criou o câncer. De um lado você continua forçando a doença para baixo, ela se afirma de outro lado, então você a força daquele lado - a doença começa a ficar com muita, muita raiva. E você não muda o paciente, o paciente permanece o mesmo; assim porque a causa existe, a causa continua criando o efeito.
A acupuntura lida com a causa. Nunca trabalhe com o efeito, sempre vá para a causa. E como você pode ir até a causa? A razão não pode ir até a causa - a causa é muito grande para a razão - ela pode lidar somente com o efeito. Somente a meditação pode ir até a causa. Então o acupunturista irá sentir o paciente. Ele esquecerá o seu
conhecimento, ele apenas tentará entrar em sintonia com o paciente. Ele irá se sentir em comunicação; ele começará a sentir uma conexão com o paciente. Ele começará sentindo a doença do paciente em seu próprio corpo, em seu próprio sistema energético. Este é o único jeito para ele saber intuitivamente onde a causa está, porque a causa está escondida. Ele se tornará um espelho e ele encontrará o reflexo em si mesmo.
Este é todo o processo dela, e isto não está sendo ensinado porque isto não pode ser ensinado. Realmente vale a pena aprendê-la, assim a minha sugestão é, primeiro aprenda no ocidente por dois anos, então por pelo menos seis meses vá a algum país do extremo oriente e fique com um acupunturista. Apenas esteja em sua presença - apenas deixe-o trabalhar e observe. Somente absorva a sua energia e então você será capaz de fazer alguma coisa; de outro modo será difícil.
E se você começa a sentir a sua própria energia mais e mais, ou o trabalho dela em seu próprio corpo, a acupuntura não permanecerá somente uma técnica, ela se tornará um instrumento. E ela é um insight - você pode aprender a técnica e nada virá dela - é mais uma intuição do que uma arte. Isto é uma das coisas mais difíceis a respeito das técnicas antigas: elas não são científicas e se você as aborda com uma perspectiva científica você pode aprender algum detalhe mas a maior parte será perdida. E tudo o que você será capaz de aprender não será muito e isto será frustrante.
Toda abordagem antiga era totalmente diferente: ela não era lógica de forma alguma, era mais feminina, mais intuitiva, mais ilógica. Não se pensava em silogismo do modo que a mente científica pensa; ao invés disto estava-se em profunda participação com a existência - mais como num estado onírico, em um transe, e permitindo que a natureza liberasse seus segredos e mistérios. Não era uma agressão à natureza... mas no máximo uma persuasão . E a abordagem era do interior.
Deve-se abordar o próprio corpo a partir do núcleo mais interno. Estes setecentos pontos não eram percebidos objetivamente, eles eram percebidos em profunda meditação. Quando se vai profundamente para dentro e se olha de dentro - uma tremenda experiência ocorre - pode-se ver todos os pontos da acupuntura envolvendo a si mesmo, como se a noite estivesse cheia de estrelas. E quando você viu estes pontos de energia, somente então você está pronto. Agora você tem uma compreensão interior e simplesmente tocando o corpo de outra pessoa você será capaz de sentir onde a energia do corpo está faltando e onde não está; onde ela está se movendo e onde não está se movendo; onde está frio e onde está quente; onde está vivo e onde morreu. Existem pontos nos quais ela responde e existem pontos nos quais ela não responde de forma alguma.
Você será capaz de conhecer a acupuntura somente na medida em que você se tornou capaz de conhecer a si mesmo e quando ambos coincidem existe uma grande luz. Nesta luz você pode ver tudo – não somente a respeito de si mesmo mas a respeito do corpo dos outros. Uma nova visão surge como se um terceiro olho fosse aberto.
A acupuntura não é uma ciência mas uma arte e toda arte demanda uma profunda entrega. Não é como qualquer outra técnica que um técnico pode manipular. Ela precisa de todo o seu coração. Você tem que esquecer a si mesmo, como um pintor se esquece enquanto pinta, ou um poeta se esquece enquanto compõe, ou um músico se esquece enquanto toca. Ela é este tipo de coisa. Um técnico pode praticar acupuntura mas ele nunca será exatamente o que é necessário. Ele nunca será aquilo. Ele pode ajudar algumas poucas pessoas, mas a acupuntura é uma grande arte, uma grande habilidade. Ela tem que ser absorvida. O segredo é a entrega: se você pode se entregar totalmente, se ela se torna uma devoção, uma dedicação - e ela pode se tornar. Entre nela, entre com todo o coração, com alegria.
Comece a ficar por conta própria. E você terá que achar o seu próprio jeito. A acupuntura é um jeito e uma arte, e não existe nenhuma necessidade de seguir alguém como uma regra. Não existem regras . Regras não existem, só insights. Assim comece trabalhando por conta própria... No começo você sentirá um pouco de insegurança e você se preocupará muitas vezes se está fazendo a coisa certa ou não. Mas é como alguém tem que começar. É um tipo de apalpar no escuro. Mais cedo ou mais tarde você encontrará a porta. Uma vez que você começou a encontrar a porta então menos e menos tatear no escuro será necessário. Então você conhece a porta. Comece trabalhando!
Quando você toca o corpo de alguém ou trabalha com agulhas, você está trabalhando em Deus. Tem-se que ser muito respeitoso, muito hesitante. Tem-se que trabalhar não a partir do conhecimento mas a partir do amor. O conhecimento nunca é adequado, ele não é suficiente. Então preocupe-se com a pessoa. E sempre sinta-se inadequado, porque o conhecimento é limitado e a outra pessoa é um mundo inteiro, quase infinito... As pessoas o tocam mas elas nunca tocam você. Elas tocam somente a periferia e você está lá em algum lugar fundo, no centro, onde ninguém entra exceto o amor. O homem é um mistério e continuará permanecendo um mistério para sempre. Não é algo acidental que o homem é um mistério. O mistério é o seu próprio ser."

Fonte: Livro – Osho, O livro da cura
Tradução: Sw Dhyan Yukti
Editora: Shanti

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Orelhas em Terapia

A auriculoterapia é um método bastante popular de tratamento da medicina tradicional chinesa. Ela segue o princípio de que existem certas áreas do corpo onde o todo do organismo e suas funções está refletido. Ou seja, existem algumas partes específicas do corpo que são consideradas micro-sistemas, por exemplo: mãos, pés, face, orelhas, etc, e através destes locais acessamos e interferimos no funcionamento de áreas distantes que ali estão refletidas.
A terapia auricular utiliza somente a região das orelhas para o tratamento. Nelas encontramos uma série de pontos reflexos e tratamos uma variedade extensa de sinais e sintomas, desde os puramente físicos aos emocionais, já que a medicina chinesa não faz exatamente uma distinção entre estas duas esferas.

Como é o tratamento
A princípio é feita uma cuidadosa observação do aspecto da orelha, procurando-se alterações no tecido, como descamações, pontos vermelhos ou pálidos, rachaduras, ressecamento, oleosidade, etc. É necessária também uma investigação das queixas do paciente e de sua condição geral. Então, com base em mapas pré-definidos e na observação, selecionam-se um ou mais pontos para o tratamento.
O estímulo nos pontos auriculares pode ser feito com agulhas longas ou curtas, com agulhas semi-permanentes (que podem ficar fixas por algum tempo nos pontos que se quer estimular), com esferas de metal, ima, cristal, e até mesmo sementes naturais. Quando utilizamos agulhas geralmente nos referimos à técnica como auriculo-acupuntura ou acupuntura auricular.
Uma vantagem desta técnica é que os pontos nas orelhas vão sendo estimulados muito tempo depois que o paciente já deixou o consultório de seu acupunturista. Dependendo do método, pode-se manter o estímulo com esferas ou sementes por até uma semana ou mais e o paciente precisa somente pressionar de tempos em tempos o local.

Indicações
A acupuntura auricular ou auriculoterapia pode ser usada tanto em casos crônicos quanto em agudos. Pode ser utilizada sozinha ou em conjunto, como coadjuvante de outras técnicas (acupuntura, massoterapia, etc).
Por manter um estímulo constante, é bastante indicada no tratamento de vícios como tabagismo, alcoolismo e drogadição (conjuntamente com outros métodos). E também é bastante procurada no tratamento para o controle de peso, aliviando a compulsão e a ansiedade envolvida no processo.
Em alguns casos onde não há muitos recursos, um objeto de ponta fina é suficiente para estimular alguns pontos auriculares e aliviar uma dor de cabeça ou uma crise de pressão alta. Basta que se saiba a correta localização dos pontos e como efetuar o estímulo correto.
Em crianças também é um método muito eficaz, já que a acupuntura com agulhas no corpo muitas vezes é contra-indicada devido à idade ou devido ao pânico que causa nos pequenos. As esferas de ima, cristal, ouro ou prata viram além de um tratamento uma brincadeira, e os pequenos tem uma resposta bastante rápida ao estímulo auricular.

Diferentes escolas
Em se tratando de auriculoterapia e auriculoacupuntura, existem diferentes escolas e linhas de pensamento. O que muda muitas vezes é a localização de alguns pontos e as técnicas de estímulo. Além da chinesa, existe a linha coreana, a escola francesa, etc. Todas elas trazem benefícios e tem suas especificidades.
Antes de tudo, ao procurar este tipo de tratamento o mais importante é verificar a formação e a prática do terapeuta. Em medicina chinesa muitas vezes a experiência do terapeuta conta mais que o número de diplomas que estão pendurados numa parede. E certifique-se também das boas condições de higiene do local e que o material é totalmente descartável. Então, orelhas à mostra e vamos lá!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Conceitos de Base da MTC: Qi

Entendendo o termo
O conceito de Qi (Chi, T’chi ou Ki, traduzido de uma maneira simplória como Energia), é um dos mais importantes no entendimento da medicina oriental e da visão de mundo chinesa. Wang Chong, um sábio que viveu de 27 a 97 d.C. afirmou certa vez que “a vida e a morte não são nada em si mesmas, mas uma agregação e dispersão do Qi”. Com isso ele quis dizer que absolutamente tudo o que existe pode ser definido por seu Qi, já que seu movimento é a base da vida e de tudo o que existe.
Através da observação criteriosa dos próprios corpos e do mundo que os cercava, os cientistas naturais da China antiga chegaram à conclusão de que a energia do corpo humano não é um mero combustível. Nosso organismo é energia materializada, assim como tudo no universo. O universo e tudo o que nele pode ser detectado, inclusive os seres humanos, formam uma vasta teia de aglomerados, conexões, fluxos e trocas energéticas.

Saúde e equilíbrio da energia
O Qi é a base da vida. Ele também é a base da nossa saúde: quando está no auge e em equilíbrio nosso sistema defensivo está forte, quando está desequilibrado nos tornamos alvo fácil para invasões e desorganização. É por isso que as pessoas reagem de formas diferentes ao meio que as cerca.
Em contato com as mesmas condições ambientais (por exemplo, uma mudança brusca de clima) algumas pessoas ficam doentes, apresentando sintomas desagradáveis e outras não. O que explica isso se o ambiente é o mesmo? O que torna algumas pessoas imunes e outras mais vulneráveis? O que há de diferente nas pessoas resistentes a doenças?
Toda cura e a própria manutenção da saúde dependem da energia. E os padrões de energia são individuais assim como as impressões digitais. Eles vão determinar a maneira como reagimos ao mundo, nosso nível de vitalidade, nossa resposta a condições adversas e nossa melhora diante de tratamentos. São essas nossas reservas individuais de energia que proporcionam a força interna que nos mantém saudáveis.

Cultivando a energia interna
Fazemos parte de um mundo em constante mutação, sujeitos a estresses e variabilidades. O que garante que fiquemos firmes diante das constantes alterações é nosso Qi. Se aprendermos a aumentar nosso Qi poderemos utilizá-lo para manutenção do nosso equilíbrio e também para auxiliar outras pessoas. Então como fazê-lo?
O termo chinês para cultivar a energia se chama Chi Kung, que significa “exercício de energia interna”. Existem muitas técnicas de Chi Kung que incluem sistemas de movimento (por exemplo o Tai Chi Chuan) além de outras que envolvem respirações e visualizações. No entanto qualquer tipo de atividade física irá colaborar no incremento da energia interna.
A Medicina Tradicional Chinesa também utiliza as agulhas, massagens, dietas, ervas e outras terapias com o objetivo de cultivar, harmonizar, incrementar e estabilizar a energia do homem. Todas estas práticas baseiam-se na compreensão do ser humano como um campo de energia completo.
Além disso, a energia pode chegar até nós sobretudo nas nossas atividades cotidianas. O cuidado com a alimentação, uma boa respiração, a manutenção da qualidade de vida e do equilíbrio emocional são variáveis que vão afetar diretamente o nosso Qi. Os sinais de equilíbrio são evidentes: uma boa saúde, resistência aos estresses e inabalável paz interior. Então, comece hoje mesmo o cultivo da sua energia interna. As técnicas são simples, mas a sabedoria por trás delas é profunda.

sábado, 25 de julho de 2009

Medo de agulhas

A acupuntura vem sendo cada vez mais reconhecida no Brasil e sua prática já é antiga no país. Quase todos já ouviram falar da técnica ou conhecem pessoas que já se beneficiaram de seus efeitos positivos. No entanto muitos ainda relutam em procurar este tipo de terapêutica devido a um problema comum na nossa sociedade: o terrível medo de agulhas. E se você é uma dessas pessoas que tem curiosidade, precisa de algum tratamento ou já teve intenção de fazer acupuntura e na última hora, lembrando das agulhas, acabou desistindo, então você precisa ler este artigo.

Força do hábito
É interessante comentar que na China até mesmo as crianças são acostumadas com este tipo de tratamento. Mas obviamente elas crescem vendo agulhas espetadas em outros ou em si mesmas e, pelo costume, acabam não sentindo mais medo. É comum ver pelos corredores de hospitais as crianças brincando com as cabeças cheias de agulhas, e nem sequer se importando com isto. Não é difícil de perceber, porém, que muito da tranqüilidade dos chineses vem de seu passado cultural.
No Brasil é culturalmente muito diferente: desde crianças temos medo das temidas injeções e este medo muitas vezes nos acompanha até a idade adulta. Muitas vezes até mesmo dizemos para crianças pequenas que se elas não fizerem as coisas como queremos irão "levar uma injeção", como sinônimo de algo muito doloroso. Isso acaba associando as agulhas a sentimentos ruins.
Por isso é importante esclarecer que, apesar das temidas agulhas, a acupuntura quando bem executada é praticamente indolor. As agulhas de acupuntura são muito finas, além de serem maciças (diferentemente das agulhas de injeção). Não se pretende atingir vasos sanguíneos dolorosos e a inserção geralmente não é profunda. A dor pela inserção das agulhas é extremamente leve (e em alguns pontos elas mal são sentidas). Quando inseridas corretamente, logo deixam de ser percebidas no corpo.

Um misto de sensações
Os pacientes geralmente referem que as sensações que acompanham a inserção das agulhas de acupuntura podem ser variadas, mas não podem ser descritas exatamente como dor. Alguns relatam um adormecimento, outros uma sensação parecida com um leve choque que se propaga para cima ou para baixo, alguns relatam uma sensação de peso, um formigamento, etc. A reação é individual, mas não dolorosa.
A dor também não é uma sensação procurada pelo acupunturista. Geralmente ela é evitada, solicitando-se que o paciente reclame de qualquer tipo de desconforto após a inserção das agulhas. A dor pode indicar que a agulha esta mal inserida ou que sua posição precisa ser modificada. O ideal é que após a inserção das agulhas o paciente esteja totalmente relaxado, sem nenhuma sensação incômoda, e possa ficar alguns minutos em repouso, ou até mesmo dormir.
E de fato muitos pacientes dormem após a inserção das agulhas. Isso parece para os mais medrosos uma coisa impossível de acontecer. Mas isso ocorre, pois geralmente a acupuntura promove um desembaraçamento das tensões e uma indução ao sono, levando a um estado de "preguiça gostosa". Recursos como música suave e um ambiente agradável também podem ajudar no processo.

Vencendo o medo
Se ainda assim você não é capaz de vencer seu pânico das agulhas, saiba que existem técnicas alternativas onde as agulhas não são utilizadas. Os pontos de acupuntura podem ser estimulados através de massagens, da colocação de pastilhas ou esferas estimulantes, magnetos, aplicação de calor, etc. Existem outras ferramentas que, num caso extremo, podem substituir as agulhas, embora o resultado delas seja indiscutível e rápido.
Então, se você é uma das pessoas que sempre quis fazer acupuntura e por causa das temidas agulhas nunca teve coragem de tentar, eu o convido a experimentar. Comente com seu acupunturista sobre seu temor e ele irá iniciar o tratamento de uma maneira mais suave, com um número reduzido de agulhas e com muita paciência. Acredito que depois da primeira ou segunda sessão seu medo irá desaparecer completamente e você também poderá se beneficiar sempre desta técnica e de seus ótimos resultados. Se ainda assim não for possível vencer o trauma, solicite técnicas alternativas sem a utilização de agulhas e usufrua desta sabedoria milenar e seus efeitos poderosos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Proteção contra maus espíritos

Detalhes da China... telhado da Cidade Proibida.
A quantidade de totens em porcelana representa a riqueza do dono da casa.

Foto: Analyce Claudino
(clique para ampliar)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Raiva, o inimigo interior

As emoções são consideradas na Medicina Tradicional Chinesa como fatores causadores de doenças. Como já comentei em artigos anteriores, essas emoções quando intensas, abruptas ou prolongadas, afetam a circulação de energia e causam conseqüências desagradáveis para todos os sistemas internos, resultando numa ampla variedade de sintomas.
Dentre todas as emoções, a Raiva é uma das que traz mais prejuízo. Ela é de certa forma aceita socialmente, ou seja, as pessoas acreditam que geralmente a Raiva é justificada. No entanto, se olharmos cuidadosamente, a Raiva é um dos maiores enganos que podemos cometer. Ela é praticamente um veneno que a própria pessoa toma, achando que deste modo vai estar atingindo o outro ou o objeto da sua Raiva.

Características da Raiva
A Raiva geralmente surge de algum tipo de contrariedade. Quando nos apegamos a nós mesmos, ao que achamos que é certo, às nossas opiniões, à nossa maneira de ver o mundo, quando defendemos nossa felicidade e estes objetivos são de alguma forma frustrados, é aí precisamente que começa a Raiva.
Ela é uma emoção yang, ou seja, que tende a ser expressada por uma ação e tende a se dirigir ao exterior (geralmente ao objeto de nossa Raiva). Internamente, ela vai atrapalhar a circulação de energia do organismo, aumentando o calor interno e afetando principalmente a parte superior, como ombros, pescoço e cabeça. Por isso facilmente reconhecemos em nós mesmos e nos outros a Raiva através da tensão muscular de todo corpo, dos olhos e rosto vermelho, dos movimentos agressivos, das palavras ríspidas que saem como labaredas. E como todo o organismo é interligado, essa energia vai sendo propagada atingindo o sistema cardíaco, o digestivo, e assim por diante.

Expressão ou repressão?
Mas não imagine que então reprimir a sua Raiva, para que ela não se exteriorize seja a solução. A Raiva, por ser yang, é de natureza expansiva, e ao reprimirmos ficamos semelhantes a uma panela de pressão. Por um lado, se não houver nenhum escape, quando a pressão interna atingir um certo limite vai explodir, resultando em ações e atitudes ainda mais maléficas. Por outro lado, esse esforço empreendido para simplesmente segurar emoções negativas vai consumindo a vitalidade da pessoa, podendo a longo prazo resultar até mesmo em depressão e outras doenças que se materializam no corpo. Como eu disse, a Raiva tende ao exterior, e ir contra a sua natureza pode ser ainda mais prejudicial.
Qual seria a solução para este dilema, onde não podemos nem exprimir nem reprimir a Raiva? Temos que agir na base do problema, refletindo e buscando meios de evitar que ela se desenvolva. Antes de tudo, temos que freiar a intenção de reagir imediatamente quando algo irritante acontece, e conseguir nos dar um pequeno tempo para respirar, para pensar e procurar analisar a situação.

Reflexões que equilibram a mente
Geralmente acreditamos que o único modo de conseguir a felicidade é controlando as circunstâncias externas da nossa vida, tentando consertar o que nos parece errado e nos livrar de tudo o que nos incomoda. Mas o verdadeiro problema encontra-se em nossa reação a essas circunstâncias. Então antes de qualquer coisa, o que temos que mudar é a nossa atitude. Precisamos exercitar nossa maleabilidade, adaptação e aceitação. Nem sempre as coisas sairão como planejamos. Os eventos são formados por múltiplas causas, não é possível ter 100% o controle da situação.
Temos que pensar também que, assim como nós, todas as pessoas estão buscando a própria felicidade, e algumas o fazem de maneiras que podemos não concordar. Mas quando você deixa a Raiva tomar conta da sua mente e do seu corpo, ao invés de destruir o seu inimigo, você mesmo se destrói. Então procure refletir que absolutamente todas as circunstâncias são passageiras, inclusive a que está gerando sua Raiva. Problemas fazem parte da existência e sempre podem acontecer, esteja preparado com antecedência e isso irá ajudá-lo a manter sua paciência se eles acontecerem de fato.
Não contraponha Raiva à Raiva. Se você compreende como é insano a pessoa reagir com Raiva com relação a você, seria mais insano da sua parte responder da mesma maneira. Através da compreensão dos mecanismos geradores da Raiva, você estará mais apto a praticar o exercício de manter a sua mente equilibrada, evitando assim prejuízos para seu corpo e pacificando sua mente.
“Não há mal que se compare à Raiva: por sua própria natureza, a Raiva é destrutiva, um inimigo. Dado que nem uma gota de felicidade jamais nasce dela, a Raiva é uma das mais potentes forças negativas" (Chagdud Tulku Rinpoche).
Deste modo, reflita e neutralize. Seu organismo e o universo agradece.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tratando doentes e não doenças

O entendimento dos conceitos de saúde e doença na Medicina Tradicional Chinesa é, no mínimo, interessante. A doença para nós sempre foi vista como algo que nos acometeu de repente, geralmente alguma coisa que veio “de fora”, totalmente independente da nossa vida cotidiana e da nossa vontade. Falando francamente, a doença ou qualquer sintoma nos vem como um obstáculo à nossa vida normal, ou seja, um estorvo, que deve ser eliminado o mais rápido possível para que então possamos voltar a fazer as mesmas coisas de antes.
”Quanto engano!”, nos diriam os sábios chineses antigos. Para eles, qualquer tipo de sintoma nos vem como um alerta, um aviso, um verdadeiro “amigo” que nos sopra ao ouvido que há alguma coisa errada em nosso ser total. Então, ao invés de simplesmente eliminá-lo, é preciso ouvir o que ele tem a nos dizer.

Sintomas: reflexos na superfície
Por que, diante de condições iguais, por exemplo uma exposição a um tempo frio, algumas pessoas começam a ficar com sintomas desagradáveis e outras não? E por que os sintomas mudam de uma pessoa para outra, se elas estiveram sujeitas às mesmas condições ambientais? A resposta para esta questão está na resistência que a pessoa é capaz de impor à situação. A energia, o equilíbrio das funções internas é diferente de uma pessoa para outra, e uma vez que este equilíbrio seja rompido ou abalado, aí sim começam a aparecer os sintomas: uma tosse, uma dor na cabeça, calafrios, etc. Estes sintomas são diferentes de indivíduo para indivíduo... cada um tem suas armas para lutar, cada um tem seus próprios pontos fracos.
Os sintomas são um reflexo do organismo, da defesa energética, na tentativa de recuperar o balanço. Sinalizam sempre um desequilíbrio energético de base, mais profundo. Sintomas intensos nem sempre são ruins, eles podem representar a resposta de uma defesa interna forte, de uma luta na tentativa de expulsar os agentes patogênicos do corpo, que em medicina chinesa chamamos de “frio”, “calor”, “umidade”, “vento”, “segura” (diferentes qualidades de energia). Sintomas débeis podem indicar tanto um desequilíbrio não muito importante, como por outro lado podem estar indicando que o corpo está perdendo a capacidade de recuperar o equilíbrio perdido.

Comunhão com o todo
O ser humano está inserido no meio ambiente e responde às leis do Céu e da Terra. Portanto, necessita de constante adaptação. Não há como viver imune, isolado das energias externas que incidem sobre nós. Mas há como aprender a sustentar o equilíbrio interno para que a capacidade de resistência às constantes mudanças do meio fique eficiente.
Este raciocínio serve não só para os sintomas físicos, mas também os psicológicos. Não é possível viver à parte das inúmeras situações que nos geram angústia, desconforto, tristeza, raiva... Mas é possível mudar nossa atitude e com isso preservar o espírito e manter a harmonia interna.
A saúde, entendida deste modo, não é somente não ficar doente. É também ter a capacidade de ficar doente e se recuperar, ou seja, recuperar o equilíbrio energético, de modo que os sintomas desapareçam.

Tratando pessoas
Deste modo, na Medicina Tradicional Chinesa, não se tratam “doenças”. Acima de tudo se tratam “doentes”: organismos que por algum motivo estão “fora do eixo”, e precisam buscar um novo ponto de equilíbrio. Para isso é necessário não apenas eliminar os sintomas, mas entendê-los, escutá-los com atenção e tomar a responsabilidade de efetuar mudanças na vida cotidiana.
Pequenos ajustes podem fazer grandes diferenças, e estas medidas são sempre individuais. Não existem fórmulas mágicas e receitas gerais: “A mesma resposta não é necessariamente verdadeira em todas as situações. A verdade da vida é sempre mutante” (Tsai Chih Chung).
Oscilar é natural num mundo em constante mutação. O ser que não oscila, não é saudável. É importante que cada pessoa encontre o seu próprio ritmo.